1.31.2011

Parte 5 - IV


Há já a um bocado que estamos assim, imóveis, enroscados um no outro de mãos dadas, e não me sinto nada bem. Apesar de tudo isto, o mau pressentimento continua a apoderar-se de mim , sinto que isto não vai correr bem . A minha vontade era gritar que te amo e que estou felicíssima por te ter de volta , mas a única coisa que me saem da boca são soluços e a única coisa que sinto são as lágrimas a chegarem ao canto do olho.
- Não percebo a razão de estares assim. Estamos apenas os dois , e estás a imenso tempo sem dizer uma única palavra .
- Não me sinto bem. Foi muita coisa ao mesmo tempo , preciso de digerir isto tudo com calma. Não penses que não estou contente , porque és tudo aquilo que me faz feliz , e se estás comigo assim o estarei.
- Não é isso que sinto. Sinto-te mal, pareces pálida e vê-se que estás prestes a derramar essas lágrimas amontoadas no cantinho do olho.
- Não te preocupes , ei-de ficar bem . Está a ficar tarde , devia-mos ir andando .
- Tudo bem , vamos então . Eu levo-te a casa.
Levantamo-nos e começamos a caminhar, de maos-dadas , como a tanto tempo não faziamos . Um raio de luz está a derreter o gelo dentro do meu coração, e ao longo do caminho o nó que sinto na garganta está a desenrolar . Nunca esperei sentir aquilo que sinto por alguém , nunca pensei amar-te tanto como te amo . Mudas-te-me , tornas-te-me uma pessoa diferente e principalmente , fizes-te de mim uma mulher . Obrigada por isso .
O sol está já a por-se e nós estamos a cinco passos do meu portão. Largas a minha mão , e o que impedi a pouco não posso mais impedir . Fico imóvel enquanto me beijas e te moldas a mim . Como sempre o fazes.
- Até amanhã , venho ter contigo a mesma hora de hoje . Amo-te .
- Está bem , também te amo.

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